Síndrome do Tunel do Carpo

    A síndrome do túnel do carpo é uma condição patológica em que o nervo mediano está comprimido no canal do carpo (punho). O nervo mediano é responsável pela condução dos impulsos elétricos que transmitem a dor, a sensibilidade tátil e vibratória e a capacidade motora de parte da mão. O canal do carpo, por onde passa o nervo mediano, é um “túnel” anatômico da mão formado pelos ossos do carpo (assoalho) e pelo ligamento transverso (abóbada). Dentro desse "túnel", o nervo mediano corre junto com os tendões flexores dos dedos. Qualquer envolvimento patológico desses elementos (geralmente de tipo inflamatório e/ou degenerativo) pode causar compressão do nervo mediano.

EPIDEMIOLOGIA

    É a neuropatia por síndrome compressiva mais comum. Uma em cada 20 pessoas são afetadas, principalmente mulheres entre 40 e 60 anos. Em 70% dos casos é bilateral.

MANIFESTAÇÃO CLINICA

    Dormência, formigamento e dor no punho, polegar, dedo indicador, dedo médio e parte do dedo anular são os primeiros a aparecer, principalmente à noite e de manhã cedo. Esses sintomas podem ser exacerbados em posições extremas do pulso.

    O desaparecimento da dor pode, em alguns casos, coincidir com o aparecimento da perda de sensibilidade. Recomenda-se, portanto, um check-up especializado, mesmo na presença de melhora dos sintomas.

DIAGNÓSTICO E INVESTIGAÇÃO

    A síndrome do túnel do carpo é diagnosticada durante um exame neurocirúrgico especializado. O neurocirurgião avalia a presença de sinais clínicos característicos para determinar se o nervo mediano está sofrendo uma compressão prejudicial ao nível do canal do carpo.

    A eletroneuromiografia é o exame preconizado. Ela estudaa a condução nervosa ao nível do nervo mediano. Ela permitem avaliar quantitativamente os danos que o nervo mediano sofre devido ao seu aprisionamento. No entanto, em cerca de 15% dos pacientes com sinais clínicos claros de síndrome do túnel do carpo, a ENMG estão dentro dos limites normais; nesses pacientes é possível realizar um ultrassom dinâmico (Sucher BM et al 2009) ou uma ressonância magnética com um tensor de imagem da mão para avaliar a compressão do nervo.

    As condições mais frequentemente associadas à síndrome do túnel do carpo são diabetes mellitus, hipotireoidismo, deformidades pós-traumáticas ou artríticas das mãos, gravidez, uso de anticoncepcionais orais, alcoolismo e Fibromialgia. 

    A patogênese mais comum é a tenossinovite inflamatória ou traumática dos tendões flexores. Mas, na maioria dos casos, nenhuma causa pode ser identificada. As ocupações que requerem flexão e extensão máximas do punho continuadas por pelo menos 45s e repetidas várias vezes ao dia estão em risco. Pessoas dos setores de eletrônicos, alimentos, manufatura, têxteis e calçados são frequentemente afetados pela síndrome do túnel do carpo. Trabalhos que envolvem o uso de ferramentas vibratórias também podem promover a síndrome do túnel do carpo.

TRATAMENTO

- Conservador: Na presença de sinais clínicos de síndrome do túnel do carpo, mas na ausência de déficits de sensibilidade ou motor e ausência de sinais eletromiográficos, é possível tentar uma abordagem conservadora, com ou sem a aplicação de uma "tala" (rígida ou semirrígida suporte no pulso por 2 semanas). Se os sintomas persistirem, o tratamento cirúrgico é indicado (mesmo na ausência de sinais eletromiográficos). O tratamento conservador deve ser monitorado cuidadosamente pelo neurocirurgião para o risco de o desaparecimento da dor coincidir com a perda de sensibilidade.

- Tratamento cirúrgico: discute-se a conduta cirúrgica sempre que haja presença de sinais clínicos e eletromiográficos da síndrome do túnel do carpo.

    Foi demonstrado que os pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico precoce apresentam um melhor resultado funcional 1 e 2 anos após o diagnóstico.

A ABORDAGEM CIRÚRGICA

O objetivo da cirurgia consiste na secção completa do ligamento transverso anterior do carpo através de uma pequena incisão na pele de 1,5-2 cm no punho. A operação é realizada com o auxílio do microscópio cirúrgico ou "alças cirúrgicas", que permitem uma ampliação tridimensional das estruturas anatômicas e dos nervos para uma visão precisa ao longo do procedimento. O resultado estético é muito bom, pois a incisão é feita em correspondência com uma dobra natural da pele. A anestesia é local. O procedimento cirúrgico pode ser realizado em regime ambulatorial ou hospital-dia. O paciente pode voltar para casa cerca de 1 hora após a cirurgia. Os pontos de náilon da ferida cirúrgica são retirados 10 dias depois. Hoje em dia, o paciente está motivado a mover os dedos e usar a mão sem esforço excessivo.

PROGNÓSTICO

A taxa de sucesso é> 95%. A melhora costuma ser imediata, com desaparecimento das parestesias (formigamentos dolorosos) noturnas. Recuperação progressiva da sensibilidade em algumas semanas / meses. Recuperação de força em alguns meses; a recuperação é apenas parcial nos casos mais graves. Além disso, a cirurgia precoce melhora os resultados clínicos e funcionais.

CONCLUSÃO

A síndrome do túnel do carpo é uma patologia da mão muito frequente que, quando indicada, beneficia de um tratamento cirúrgico sob anestesia local, em regime de ambulatório ou hospital-dia com excelentes resultados funcionais.

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