Tumor Cerebral Metastático
Introdução
A expressão metástase cerebral é definida como sendo um tumor secundário originado no cérebro a partir da disseminação de um câncer localizado em outro local do corpo humano. O tecido que o compõe é formado por células que, migrando de outros tumores, através da corrente sanguínea, se instalam no sistema nervoso central. As metástases cerebrais podem ocorrer meses, ou mesmo anos, após a descoberta e tratamento de um tumor primário.
Epidemiologia
As metástases cerebrais afetam, de acordo com estudos, 20 a 40 por cento dos pacientes com câncer que sobrevivem à doença primária. Em mais da metade dos casos, o diagnóstico é feito quando há mais de uma lesão cerebral.
Na maioria dos casos as metástases estão em um dos hemisférios, em 15 por cento dos casos estão no cerebelo e em 5 por cento no tronco cerebral.
A incidência de metástases cerebrais aumentou ao longo do tempo principalmente por dois motivos: ferramentas de diagnóstico mais precisas, que nos permitem estudar áreas do cérebro que antes não eram facilmente avaliadas, e melhorias no tratamento de tumores primários. O prolongamento da duração média da sobrevida após o diagnóstico de câncer fez com que, consequentemente, aumentasse também a possibilidade de desenvolvimento de tumores cerebrais secundários, que não teriam sido identificados no caso de óbito precoce do paciente pelo tumor primário.
Há alguns anos atrás a presença de metástases cerebrais levava, na grande maioria dos casos, à morte do paciente em poucos meses. Hoje a situação melhorou graças aos avanços nas terapias.
Paciente em risco
Indivíduos com um tumor primário em um órgão sabidamente suscetíveis à disseminação hematogênica cerebral.
Alguns tumores primários "metastatizam" (disseminam) mais facilmente para o cérebro do que em outros órgãos por razões anatômicas (porque estão mais próximos ou "melhor conectados") ou por fatores celulares e moleculares ainda não totalmente compreendidos.
Os cânceres primários que formam metástases no cérebro incluem pulmão, mama, rim, colorretal e melanoma.
Dependendo dos estudos, as porcentagens podem variar, mas o câncer de pulmão (nos homens) e o câncer de mama (nas mulheres) continuam sendo os tumores que mais frequentemente formam metástases cerebrais.
Há também uma pequena porcentagem de tumores metastáticos dos quais, ao exame histológico, não é possível identificar o tumor de origem. São os chamados "tumores metastáticos de origem desconhecida " ou "pouco diferenciados". Nesses casos, o complemento com estudo imuno-histoquímico costuma auxiliar em sua diferenciação.
As formas cerebrais metastáticas são classificadas de acordo com a localização do tumor no cérebro, o tipo de tecido desenvolvido e o órgão de onde se originam.
Sintomas
Os sintomas de um tumor cerebral primário ou metastático não diferem uns dos outros e costumam ser pouco específicos. Esses incluem:
- Distúrbios da coordenação motora e tonturas;
- Sensação de mal-estar geral e letargia;
- Dor de cabeça (naqueles que nunca sofreram ou mais intensas do que o habitual);
- Perda de memória, dificuldade de concentração;
- Perda da sensação tátil em algumas áreas do corpo, dor ou outras alterações na sensação;
- Mudanças repentinas de humor ou comportamento irracional;
- Dificuldades de fala ou articulação;
- Crises epilépticas (naqueles que nunca sofreram delas);
- Náusea, vômito;
- Fraqueza de uma parte do corpo.
Os sintomas dependem principalmente da área em que as metástases se localizam e se desenvolvem: no cérebro cada conjunto e rede de neurônios tem sua função específica e, consequentemente, os sintomas dependem em grande parte do circuito afetado.
A hipertensão intracraniana também explica os sintomas mais comuns: por exemplo, a dor de cabeça se deve à circulação prejudicada do líquido dentro dos ventrículos causada por metástases ou à "inflamação" (edema) que as metástases muitas vezes geram em torno de si. Esses fenômenos induzem uma compressão dos tecidos contra a parede rígida do crânio e também por essa razão a cefaleia por tumores cerebrais (primários ou secundários) possuem pouca resposta aos analgésicos comuns.
Diagnóstico
O diagnóstico de metástases cerebrais é feito com um exame neurológico completo, bem como com testes comuns para avaliação do sistema nervoso central, incluindo tomografia computadorizada e ressonância magnética (RM). Em alguns casos, também será necessário um eletroencefalograma ou angiorressonância, o que nos permite avaliar a vascularização do tumor (ou seja, quão bem se desenvolve a rede de vasos que o alimenta).
No caso de um tumor metastático, também será necessário avaliar (ou procurar) o tumor primário de onde se origina a metástase. Os exames mais comumente prescritos incluem radiografias de tórax e (em uma mulher) uma mamografia, procurando por câncer de pulmão ou mama. A partir daí, são utilizadas avaliações como ultrassonografia abdominal (se houver suspeita de tumor primário nessa área do corpo) ou tomografia por emissão de pósitrons (PET), para verificar a possível coexistência de outras metástases hepáticas. A depender da suspeita, outros exames serão necessários, desde tomografias abdominais, endoscopias e dermatoscopia (exame da pele).
Evolução
Não existe um sistema de estadiamento específico de metástases cerebrais que, como já explicado, derivam de células migradas de um tumor primário localizado em outra parte do corpo.
Tratamento
Tal como acontece com o tumor cerebral primário, as metástases cerebrais também podem ser abordadas principalmente com cirurgia. Além de eliminar potencialmente as metástases, a cirurgia também pode reduzir os sintomas e a pressão dentro do crânio. Os medicamentos quimioterápicos, por outro lado, não são muito eficazes (mesmo se usados em alguns casos específicos) nesses tipos de tumor porque a barreira particular que controla a circulação sanguínea no cérebro (barreira hemato-encefálica) é um obstáculo para sua dispersão pelo cérebro.
Se o tumor de origem não for conhecido, a análise histológica das metástases pode ser feita no local da intervenção ou com uma biópsia feita através de uma pequena abertura no crânio. A biópsia é útil para entender qual o tipo de tecido tumoral, quais medicamentos podem ser eficazes e quão agressiva a doença pode ser.
Se não for necessário analisar o tecido, o número de lesões metastáticas, a distância entre as mesmas ou a localização impeditiva para cirurgia, bem como se as formações cerebrais não forem muito grandes (geralmente menos de três centímetros de diâmetro), pode-se utilizar a radiocirurgia. Esse tratamento utiliza raios altamente concentrados e dispostos espacialmente para focar o efeito da radiação diretamente no tecido maligno. A referida técnica (que pode ser considerada uma forma particular de radioterapia) é conhecida como “radioterapia conformacional” ou "radiocirurgia". Ela requer uma equipe especializada, a disponibilidade de equipamentos de imagem avançados e de equipamento próprio.
A radioterapia pode complementar a cirurgia clássica eliminando as células tumorais remanescentes e é útil para reduzir o risco de recorrência. Pode ser usado sozinho ou em combinação com quimioterapia.
Estão sendo testados tratamentos de imunoterapia para metástases cerebrais com base nos chamados inibidores de checkpoint, drogas capazes de "tirar os freios" do sistema imunológico, podendo assim atacar o tumor.
Uma série de tratamentos de suporte como fisioterapia, reabilitação cognitiva ou terapia ocupacional que visam manter uma qualidade de vida aceitável para os pacientes também fazem parte do tratamento.
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